Bibliotecas comunitárias buscam reduzir as desigualdades de acesso à informação estimulando a leitura e contribuindo com a formação das crianças, jovens e adultos da sua comunidade.
Pensando nisso, traremos posts com indicações de acervo para as bibliotecas comunitárias, fazendo uma distinção flexível quanto ao público-alvo de cada indicação.
A primeira leitura indicada para o público infanto-juvenil é “A bolsa amarela”, de uma das mais importantes autoras de literatura infanto-juvenil do Brasil: Lygia Bojunga Nunes.
“A bolsa amarela”, de 1976, trata da jovem menina Raquel, que entra em conflito consigo mesma e com a família ao reprimir três grandes vontades (que ela esconde numa bolsa amarela) – a vontade de crescer, a de ser garoto e a de se tornar escritora. A partir dessa revelação – por si mesma uma contestação à estrutura familiar tradicional em cujo meio "criança não tem vontade" – essa menina sensível e imaginativa nos conta o seu dia-a-dia, juntando o mundo real da família ao mundo criado por sua imaginação fértil e povoado de amigos secretos e fantasias. Ao mesmo tempo que se sucedem episódios reais e fantásticos, uma aventura espiritual se processa, e a menina segue rumo à sua afirmação como pessoa.
São apenas 140 páginas com algumas ilustrações e um perfeito equilíbrio entre a liberdade do imaginário e as restrições do real. O elemento pedagógico da obra pode ser trabalhar com as crianças a busca pela sua própria identidade.
A autora
Lygia Bojunga Nunes passou sua primeira infância em uma fazenda e aos 8 anos mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira como atriz e logo após se arriscou no mundo literário. A estreia da autora foi em 1972, com o livro Os Colegas que, já em 1973, recebeu o Prêmio Jabuti. Ela foi também a primeira autora fora do eixo Estados Unidos/Europa a receber o Prêmio Hans Christian Andersen, uma das mais relevantes premiações concedidas aos gêneros infantil e juvenil.
Na busca de uma vida mais integrada à natureza, refugiou-se no interior do estado do Rio de Janeiro e fundou, acompanhada de seu segundo marido, Peter, uma escola rural para crianças carentes, a Toca.
Lygia trabalha com edição e produção de livros, feitos de forma artesanal e, em 2002, publicou o primeiro livro de sua própria editora, a Casa Lygia Bojunga: Retratos de Carolina. Pelo conjunto de sua obra, em 2004, ganhou o Astrid Lindgren Memorial Award, prêmio criado pelo governo da Suécia, jamais antes outorgado a um autor de literatura infantojuvenil. Com esse incentivo, criou em 2006 a Fundação Cultural Lygia Bojunga com o intuito de desenvolver ações e projetos que aproximem o livro da população brasileira.
Um dos maiores motivos de suas indicações para o público infantil é que Lygia produz textos baseados na perspectiva da criança e como ela enxerga o mundo. Em entrevista ao projeto Educar para crescer, a autora disse que considera a literatura “[...] um espelho. Quanto mais nos olhamos nele, mais vamos captando revelações sobre nós mesmos e, consequentemente, sobre nossa postura face ao mundo.”.



